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Após a ressureição
de Cristo, os apóstolos seguindo a orientação
que o Senhor lhes transmitiu na terceira aparição,
saíram da Judéia para espalhar suas palavras
em terras desconhecidas. Tiago, filho de Zebedeo e Salomé
e irmão de João "O Evangelista", frustrado
com as constantes perseguições que sofreu Cristo
e que continuava atingindo todos os demais cristãos,
decidiu pregar em Finisterrae um lugar muito remoto onde não
haviam perseguições aos cristãos. Esta
região, a mais a oeste da Europa, era então
considerada o fim do mundo, daí o seu nome. Após
uma longa jornada, em um pequeno veleiro que praticava o comércio
em todo o Mediterrâneo, chegou a Iria Flávia,
cidade na qual conseguiu vencer várias dificuldades
iniciais e à partir da qual iniciou seu trabalho de
evangelização entre os povos da região.
Após seis anos de pregação, decidiu que
era hora de voltar à Palestina a fim de contar o que
tinha conseguido e trazer mais evangelizadores à Hispania.
O retorno foi muito difícil e dois anos depois finalmente
aportou em Jafa e seguiu para Jerusalém.
Nesta época os judeus eram regidos por Herodes Agrippa,
que levou as perseguições aos judeus às
últimas conseqüências. Após um curto
período de pregação, Tiago foi preso
e sentenciado à morte por decapitação
e abandono dos restos mortais às feras do deserto.
Cumprida a sentença, os seus irmãos de fé
conseguiram recolher o seu corpo, que foi embalsamado e transportado
de volta à Hispania por Teodoro e Atanásio,
dois discípulos convertidos em Iria Flavia. Uma vez
de volta a Finisterrae, Tiago foi sepultado em um bosque de
difícil acesso que recebeu o nome de Libredunum. À
partir de então gerações de eremitas
se revezavam na tarefa de velar o túmulo do Apóstolo.
Passaram-se quase setecentos anos, quando em 822, dois camponeses
acreditaram ter visto muitas luzes vindas de um bosque êrmo.
Alertado, o Bispo Teodomiro empreendeu uma viagem ao local
e lá encontrou o eremita Pelayo que lhe relatou que
velava o túmulo de Santiago, todo envolto por luzes.
A notícia foi rapidamente levada ao rei Afonso II que
mandou construir uma capela e um monastério, tornando-se
o primeiro peregrino a visitar o local. Assim nasceu um dos
mais importantes centros de peregrinação: o
Caminho de Santiago de Campo Estela. À partir de 845,
começaram a chegar os primeiros peregrinos e já
em 862 o local não suportava mais o fluxo de fiéis,
o que fez com que os restos mortais fossem transladados para
Santiago de Compostela. Em 1075 deu-se o início da
construção da atual catedral. No século
XI, o caminho partia de quatro cidades da França: Tours,
Vézelay, Lê Puy até Ostabad e de Arlés
até Somport.
Devido à importância que o Caminho adquiriu,
em 1135, o Papa Calixto II, incumbiu o frade Aimeric Picaud
de escrever uma obra a respeito, tendo sido produzido o Líber
Sancti Jacobi, em cinco volumes. Um dos volumes descreve pormenorizadamente
o caminho, sendo considerado o seu primeiro guia.
Com o fim da Idade Média, o Caminho de Santiago perdeu
a sua importância e foi gradativamente esquecido. Somente
no século XX, ele foi novamente resgatado e começaram
as peregrinações modernas. O Caminho de Santiago
foi declarado Conjunto Historio Artístico em 1962,
é considerado Patrimônio Cultural Europeu pela
Unidade Européia e Santiago de Compostela foi reconhecida
pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1962.
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