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  • São Paulo, 23 de Fevereiro de 2012
 

 
 



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Preparação Física

O caminho, tanto pelas distâncias como pelos diversos traçados, podem ser duros, por isto necessitamos estar preparados também fisicamente. É bom iniciar uma preparação com a antecedência mínima de uns três meses. A idade e as condições físicas pessoais de cada um indicará a necessidade de mais ou menos tempo.

O sucesso de uma boa preparação física está em ir percorrendo a cada dia distancias maiores até conseguir, sem grandes fatigas, percorrer os quilômetros que traçamos na peregrinação. É conveniente ir anotando os quilômetros que são capazes de percorrer em una jornada. Nossas metas devem ser realistas, começando com distancias curtas e não muito ambiciosas, ou cairemos no desânimo.

A freqüência das saídas de treinamento estarão condicionadas por nossas ocupações. No principio uma saída semanal é suficiente, porém devemos ir em progressivo aumento até conseguir no final um dia inteiro de caminhada (e neste caso, o número de quilômetros não importa).

Durante o último mês é conveniente sair para treinar levando a mochila com seu peso previsto. Os músculos dos joelhos e tornozelos se fortalecerão e não nos dará desgostos indesejados quando estivermos peregrinando.

A distância média, de que normalmente percorrem os peregrinos por etapa são de 20 a 25 quilômetros por dia. 

Caminhando Corretamente
Antes de iniciar a caminhada deverá realizar alongamento para evitar torções. Convém começar a caminhar de forma suave, regular e contínua, até que o corpo esquente.  

Apoie por completo a planta do pé no solo. Mesmo que uma bolha, sobre a qual falaremos depois, atrapalhe este procedimento, não pise torto. Sobrecarregar demasiadamente determinadas zonas da planta do pé facilita a ocorrência de tendinites e outros problemas físicos mais sérios.

Concentre-se. Olhe bem aonde está colocando seus pés. Dê um passo atrás do outro sem descuidar de nenhum. Um passo mal dado pode ocasionar uma queda ou lesão que o obrigue a abandonar o Caminho. Sobretudo quando enfrentar terrenos acidentados, com desníveis e pedras soltas , fique mais atento ainda ao pisar.

Ao caminhar em companhia de alguém que tenha o passo mais ou menos rápido que o seu, de forma alguma procure acompanhá-lo. Esse é o maior problema da peregrinação em grupo. Caminhando fora de seu ritmo natural, em apenas algumas horas você estará complemente esgotado. Ao invés disso, marque lugares específicos para encontrar seus companheiros ao longo do Caminho. Seu livro guia estará repleto de opções.

Planos, subidas e descidas:  Em terreno plano, siga seu passo normal pisando corretamente e com firmeza;  ao subir, não deixe a mochila demasiadamente apertada para que sua respiração possa fluir com naturalidade. Nesses casos, seus passos serão naturalmente mais curtos, mas exageros podem tornar o trajeto mais cansativo.

"Na descida todo santo ajuda" é um ditado que não serve para longas caminhadas. É justamente nas descidas que você estará mais propenso a sofrer algum tipo de queda ou torção. O andar torna-se mais rápido e os passos mais longos o que significa que a atenção precisa ser redobrada. Apoie primeiro o calcanhar no chão e nunca a parte da frente do pé. Assegure-se de que sua mochila está bem presa na cintura para que seus ombros não fiquem sobrecarregados.

O Peregrino e a Peregrina devem descansar pelo menos dez minutos cada hora ou mais de caminhada. É conveniente apoiar-se no cajado enquanto se caminha.

Prevenção de bolhas
Mesmo tomando todos os cuidados necessários e utilizando o equipamento adequado não estamos livres de ter bolhas bem doloridas. Como medidas preventivas sugerimos:

  • Verificar o perfeito ajuste das meias, que devem ser de preferência sem ou com o mínimo de costuras possível. Normalmente usamos duas meias em cada pé, uma mais fina em contato com a pele e a outra, atoalhada, sobre a fina;
  • Utilizar um calçado adequado para trekking de preferência à prova d’água;
  • Cuidar da higiene diária dos pés, que devem ser lavados imediatamente ao final de cada etapa.
  • Passar vaselina, pomada de arnica ou vick vaporube entre os dedos. Esses produtos diminuem o atrito da meia contra a pele e entre os dedos, revelando-se fantástico e escorregadios preventivos contra bolhas. Muitos peregrinos seguiram viagem aliviados após descobrirem este macete.
  • Não tomar banho antes de começar a andar, principalmente banhos longos e com água quente, pois a pele dos pés amolece e fica mais propensa às bolhas.
  • Enquanto estiver caminhando, logo que sentir uma região do pé dolorida ou sensível, pare e verifique a causa. Corrija o problema da meia ou da bota e cubra a região com esparadrapo especial para estes casos ou mesmo Band-Aid. Não deixe a situação piorar por um simples descuido seu. Nas farmácias européias, principalmente naquelas ao longo do Caminho, existem produtos especiais que aceleram a formação de um novo tecido na epiderme.

Formação de bolhas
Existem vários motivos que, isolados ou combinados, propciam o aparecimento de bolhas. Os mais comuns são:

  • Suor, que amolece a pele e a deixa mais sensível ao atrito; 
  • Desajuste das meias, causando uma fricção irregular entre meia e pele. Mesmo um desajuste mínimo vai tomando maiores proporções com o caminhar contínuo e a bolha torna-se inevitável;
  • Tomar banho quente antes de caminhar; 
  • Utilização de calçados inadequados e não impermeáveis;
  • costuras ou protuberâncias internas do calçado. Nesse caso, ocorrerá outra vez um atrito irregular entre a pele e a meia e novamente irá se formar uma ou mais bolhas nas regiões afetadas.

Tratamento das bolhas
Caso você não consiga evitar e seja contemplado com uma terrível bolha ou mais, não desanime, pois estará na mesma situação da grande maioria dos peregrinos. Tome certas providências para que ela não comece a aumentar e incomodar ainda mais, tornando sua peregrinação uma experiência extremamente dolorosa. Dois são os métodos mais utilizados pelos peregrinos para tratar das bolhas no Caminho. Vejamos:

Desinfete uma agulha cirúrgica e faça um ou dois pequenos furos na bolha para que o líquido de seu interior saia até que ela fique completamente vazia. Furar a bolha significa atravessar com a agulha somente a pele. Nunca, mas nunca mesmo, corte ou arranque a pele que serve como proteção para a zona lesionada. Coloque sobre a bolha, já sem líquido um esparadrapo.

Técnica da "costura" - Trata-se de pegar agulha e linha de coser, de preferência de algodão, enfiar a linha na agulha cirúrgica como se fosse costurar e mergulhar tudo na água oxigenada ou iodo para desinfetar. Utilizar material limpo é fundamental para evitar infeções. Então, atravesse a bolha com a agulha e prossiga até a linha ficar transpassada no interior da bolha. Corte a linha deixando um centímetro de cada lado para fora da bolha.

Pressione delicadamente a região lesionada até sair toda a água da bolsa e deixe a linha lá mesmo. Ela servirá como dreno evitando que a bolha se encha novamente de água, voltando a crescer e incomodar. Passe algum tipo de pomada cicatrizante e procure deixar o local coberto com Band-Aid. Nunca utilize esta técnica para bolhas que surjam na planta do pé pois, ao caminhar, você irá pisar diretamente na linha, causando atrito constante na região lesionada. Evite sofrimentos desnecessários e até mesmo uma possível inflamação

Tendinite
Mesmo caminhando corretamente, ou seja, sem alterar a postura corporal correta, fato é que percorreremos uma média de 25 a 30 Km por dia, com a mochila nas costas. Aparecer uma tendinite não será coisa de outro mundo ou castigo divino. Caso você procure um médico, o que deve ser feito, ele poderá lhe aconselhar a abandonar o Caminho e voltar para casa, para ficar em repouso. Porém, evite seguir este conselho ao pé da letra e preste atenção na situação real que você se encontra. Lembre-se que o Caminho de Santiago é um momento completamente diferente de sua vida cotidiana. Assim, você deve proceder de acordo com este momento, mas não esqueça da prudência.

A tendinite dói e se você não pode resistir a dor, pare de caminhar um ou dois dias para que o problema não se agrave. Procure um médico, explique sua situação e siga suas instruções quanto ao medicamento indicado. Analgésicos e pomadas anti-inflamatória farão parte deste medicamento. Normalmente, não é permitido ao peregrino dormir mais de uma noite no mesmo refúgio. Fale com o hospitaleiro responsável pelo albergue e verifique a possibilidade de permanecer lá durante sua recuperação. Uma opção interessante para reverter a situação e transformar seu problema em aprendizado é auxiliar o hospitaleiro em suas tarefas de acolhida a outros peregrinos.


Tendinites

Bolhas


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